domingo, 7 de outubro de 2012

Tubaína: 80 anos de muuuuuito sabor!

Em sua clássica obra Estilística da Língua Portuguesa, o erudito português Manuel Rodrigues Lapa fala de um estudioso estrangeiro de nossa língua, segundo o qual a palavra portuguesa mais bela, sonora e agradável de ouvir era garota. Parece que lhe trazia doces recordações e devaneios dos tempos de juventude, talvez um amor perdido para sempre, um rosto de moça que nunca mais se reviu...

Cá entre nós, mas guardadas as devidas proporções, creio que a muitos soará com boas lembranças, com sabor de infância, o termo tubaína. Lembrança bem mais prosaica e menos nobre, talvez, mas não menos importante. Somente quem saboreou tubaína quando criança, no Interior de São Paulo e outros estados, ou na periferia de cidades grandes, sabe do que falo...

Outros se perguntarão: Que raios é isto de tubaína? É tão importante assim? Para muitas pessoas, entre as quais me incluo, sim; basta fazer uma pesquisa na Internet e comprovar isso. Para entender melhor, comecemos vendo abaixo o que é, afinal de contas, a tubaína.

No tempo da Turbaína  No início da década de 1930 – segundo se diz – o imigrante italiano Pietro Paccini inventou um nome para uma bala (confeito ou bombom, em outras regiões do Brasil) fabricada pelas indústrias Ferráspari, de Jundiaí, estado de São Paulo. A bala tinha sabor tutti frutti (isto é, frutas mistas), e o nome criado por ele para designá-la foi Turbaína. O nome pegou, e a empresa, que fabricava também bebidas (vinho, vermute, cachaça etc.) lançou um refrigerante com o mesmo nome e sabor. As balas deixariam de ser fabricadas, e o refrigerante tornar-se-ia o carro-chefe da empresa, sendo fabricado ainda hoje, com o mesmo nome.

Segundo uma controvérsia já bem antiga, não foi a Ferráspari a pioneira das tubaínas: a Etubaína Orlando, de Piracicaba, parece ser a mais antiga em atividade, lançada em 1913  centenária, portanto! Seja como for, essas empresas pioneiras chamaram a atenção de outras empresas concorrentes, que viram uma oportunidade e lançaram seus próprios refrigerantes de sabor misto de frutas; ou, se os tinham, adaptaram seus nomes para algo próximo do nome criado por Paccini. Apareceram no Interior de São Paulo várias marcas com nome derivado de Turbaína: Tatuína Rossi e Tuiubaína Vieira, ambas de Tatuí; Itubaína, fabricada pela Schincariol em Itu; Frutaína Convenção, também de Itu; Cajaína, fabricada em Cajamar; Taubaína Vedete etc.


Antigos rótulos da Etubaína e Gengi-Birra, fabricadas por Orlando & Cia., Piracicaba, SP (fonte: solcaldeira.blogspot.com.br).


Criatividade nos nomes: Tuiubaína e Tatuína, ambas de Tatuí, SP

Destaca-se, porém, o nome tubaína, que surge como designativo genérico desse sabor nos rótulos de muitas marcas, como a Tubaína Cruzeiro, de Leme, Tubaína Bacana, de Boituva, Tubaína Funada, Tubaína Frutty, Tubaína Cibel, Tubaína Estrela, Tubaína Ligiane – estes são apenas alguns dos muitos nomes que surgiram, e dos quais vários desapareceram, deixando registro apenas na memória dos que os experimentaram e saborearamfoi esse o destino de marcas tradicionais de refrigerantes, umas regionais, outras mais difundidas nacionalmente, e outras até internacionais. Algumas deixaram saudades... outras nem tanto.

Lendas urbanas – Não poderia deixar de haver lendas urbanas sobre o fim de marcas de refrigerantes. Muitas marcas antigas de refrigerantes ou outras bebidas tinham, como ainda hoje, seus próprios vasilhames ou cascos, como se dizia antes, todos retornáveis, e outras usavam garrafas comuns das quais apenas se trocava o rótulo de papel. Lembro-me de ter ouvido de várias pessoas que as grandes empresas prejudicavam as pequenas da seguinte forma: aceitavam os vasilhames dos concorrentes em troca dos seus. Trocando em miúdos: quando o entregador trazia uma carga do refrigerante C, aceitava vasilhames próprios dos refrigerantes G, P, S, T e outros mais, que eram depois destruídos e transformados em vasilhames do refrigerante C, ou simplesmente jogados fora, prática desonesta que garantia o domínio do mercado numa época em que não existiam garrafas descartáveis. Os concorrentes perdiam a clientela por falta de vasilhames para a compra. Será verdade? De certa forma, a expansão do uso de garrafas PET ajudou muitas empresas pequenas a sobreviver, sem depender de vasilhames personalizados que os concorrentes poderiam destruir.




Grapette e Crush, símbolos de uma época...

Outras marcas de refrigerantes não sumiram assim de forma tão agressiva. A famosa soda limonada Gini deixou de ser fabricada por decisão dos novos proprietários, depois de sua fábrica ter sido comprada por uma multinacional; a Grapette tubainizou-se, como veremos mais abaixo.

Turbaína, tubaína – O italiano Paccini foi criativo com o nome Turbaína... Será que o derivou de turbina ou turbo? É possível que sim, relacionando-se o novo sabor à potência das máquinas industriais e automotoras que se espalhavam nas primeiras décadas do século. É possível, porém, que o tenha simplesmente derivado de tubaína, se este nome já existia. De parte a polêmica, mais sucesso teve o nome tubaína: sem o fonema consoante /r/, que em nossa língua apresenta muitas variantes, constitui um nome com estrutura bem típica e previsível em português, bem fácil de pronunciar, inclusive para estrangeiros, penso eu. A estrutura da palavra é das mais comuns em nossa língua: é paroxítona (tem seu acento na penúltima sílaba, a contar do final) e suas sílabas apresentam combinação muito comum em nossa língua (consoante + vogal), além de uma sílaba, a tônica, formada de uma vogal isolada. Trata-se, portanto, de palavra de aspecto bem popular. Confesso que a princípio julguei tratar-se de termo de origem tupi, e procurei sem sucesso uma etimologia para ela; pensava que as sílabas iniciais (tuba) vinham do tupi tyb(a), que traz o conceito deajuntamento deoupresença de. Como se vê, parece que me enganei tubainicamente...


A Turbaína da Ferráspari em vários formatos.

A tubaína em roupagem tradicional: Refrigerantes Cruzeiro, de Leme, SP, final da década de 1970 (fonte: Tubaínas e Afins)

O nome tubaína espalhou-se por todo o estado de São Paulo, e daí para outros lugares; tornou-se um substantivo comum, inicialmente designativo de refrigerantes de sabor tutti frutti, e muitas empresas passaram a usá-lo em seus rótulos. Parece-me que a base de uma tubaína é geralmente o guaraná, acrescido de outros sabores para compor o buquê, conforme receita local ou de família – a tubaína é um refrigerante versátil! Geralmente se acrescenta suco de maçã, laranja, uva, limão, groselha, mas existem combinações inusitadas.
Quando morei em Lavras, Minas Gerais, conheci o Mate Couro, refrigerante de Belo Horizonte. É de fato uma tubaína, embora não use esse nome; também não me lembro, durante o tempo em que morei lá, de ter ouvido chamarem-no tubaína. Trata-se de uma combinação de guaraná com mate e extrato de chapéu-de-couro, uma planta do gênero Echinodorus que dizem ter qualidades diuréticas e antirreumáticas, que esse refrigerante, por isso, também tem – é o que asseguram os consumidores que conheço. Assim como as tubaínas, é encontrado também em garrafas de 600 ml, e começa a difundir-se fora das fronteiras mineiras. Outros refrigerantes fabricados em Minas Gerais também têm o extrato de chapéu-de-couro adicionado a sua fórmula.

de volta a São Paulo, depois de 3 anos em Lavras, encontrei um conhecido mineiro. Conversa vai, conversa vem, citei o Mate Couro... os olhos dele brilharam, e concordamos quanto ao sabor: excelente!

Sabor de infância Quando eu era criança, em nosso bairro havia várias marcas disponíveis de refrigerantes sabor tutti frutti, como a citada Cajaína (acho que extinta, pois não encontrei referência atual a ela), a Tubaína Bacana (também citada acima), a Baré Tutti Fruti e outras marcas de tubaínas de que me esqueci. A Baré Tutti Fruti era fabricada pela Antárctica, assim como a Baré Cola; acho que deixaram de ser produzidas. (Ao chegar a Santarém, quase 4 anos, fiquei surpreso ao encontrar Baré, em PETs e garrafas de 600 ml, fabricada pela Antárctica de Manaus; mas não é tubaína, a Baré manauara é um guaraná, e de sabor agradável, superior a outros disponíveis por aqui e por aí.)

Havia também a Simba, de sabores maçã e guaraná, fabricada pela Spal, uma das produtoras da Coca-Cola no Brasil uns tempos atrás ainda existia no formato PET de 2 litros; cheguei a beber dela no novo formato, mas achei que o sabor não era o mesmo, ou meu paladar de menino é que era menos exigente... Já da tubaína Bacana eu bebi muito. Lembro-me bem dela, pois era a única que ainda tinha tampas com revestimento interno de cortiça – uma película fina de rolha – coisa que creio ter desaparecido, substituída por tampas recobertas com plástico.


A tubaína Bacana (Boituva, SP) vinha com tampas com cortiça semelhantes a estas (Fonte:  Coisa Velha)

Confesso que, quando éramos crianças, preferíamos a tubaína porque, além de maior quantidade por menor preçoo sabor não era tão importante quanto a relação custo/benefício, a garrafa era do mesmo tamanho da de cerveja, muitas vezes o mesmo tipo de vasilhame, e a cor do refrigerante fazia parecer que estávamos bebendo cerveja; nós nos sentíamos mais machos e adultos...

Era de fato o refrigerante preferido pela criançada, porquanto fácil de encontrar e barato. Lembro-me de que, quando eu tinha uns 8 ou 9 anos, eu e mais 2 colegas, depois da aula, íamos a um ferro-velho, uma revenda de sucata, pegávamos emprestada uma carroça e saíamos pelo bairro puxando-a e apanhando sucata: pedaços de ferro e alumínio, papelão, jornais e revistas velhas, fios de cobre (a distribuidora de eletricidade estava trocando a rede local, e em nossas andanças conseguíamos muitos retalhos de fios, que vendíamos depois de tirar a capa). Após receber nosso minguado pagamento, íamos a algum bar da vizinhança e pedíamos 1 ou 2 tubaínas, que sorvíamos com gosto, fruindo o resultado de algumas horas de "trabalho". Não consigo resgatar direito a sensação que eu tinha, mas sei que nela havia um pouco de satisfação por ter conseguido algo com o próprio esforço.

Vem chegando o verão... Em meados da década de 1980, eu trabalhava num armazém de secos e molhados, um mercadinho, no bairro do Rio Pequeno, Butantã, cidade de São Paulo. Vendíamos de tudo, inclusive bebidas. Quando se aproximava o verão, os donos de bares, empórios, armazéns, adegas (no sentido deloja especializada na venda de bebidas) etc. ficavam preocupados, pois a falta de bebidas era iminente; as cervejarias não davam conta ainda de abastecer a toda a demanda, e quem conseguia fazer seu estoque, guardava o que podianão havia ainda tanto controle em relação ao prazo de validade das bebidas engarrafadas. Lembro-me de que meu patrão sofria, pois ele fazia o pedido e este nem sempre era entregue: alguns comerciantes da região pagavam propina aos entregadores e compravam toda a carga do caminhão, deixando os concorrentes sem bebidas. Isso acontecia com as entregas dos produtoscervejas e refrigerantes – produzidos pelas principais fábricas, cujos nomes todos conhecem.

Nesse ínterim, surgiam os distribuidores alternativos, trazendo produtos de fábricas longínquas, situadas no Interior do estado ou até em estados vizinhos, os quais supriam em parte a demanda a que as marcas gigantes não podiam atender. Foi assim que tivemos em nossas geladeiras as cervejas Caçador (já extinta) e Malta Chopp, que causaram espécie quando chegaram por lá, pois ninguém as conhecia e tinham medo de experimentá-las. Não sei se eram boas ou ruins, pois à época eu não tinha idade para tomar cerveja, e não provei. A Malta Chopp é ainda hoje fabricada em Assis, SP, e sua fábrica tem também uma linha de refrigerantes, Cristalina, incluindo uma tubaína, of course.

Foi também nessa época que conheci a já citada Turbaína e outros refrigerantes da mesma empresa. Vinham, é claro, em garrafas de 600 ml, dispostas em engradados de 24 unidades. Além da Turbaína, o distribuidor trazia-nos também outros sabores: limão (ou soda limonada, designação que parece ter caído em desuso), laranja, guaraná e maçã. Eram saborosos, assim como a Turbaína.

Com os investimentos em novas cervejarias e o crescimento de antigas marcas regionais, que se tornaram conhecidas no resto do Brasil e até no Exterior, cessou a falta de cerveja; no final daquela década as coisas começaram a melhorar, e os entregadores de bebidas, que antes fugiam de nós, passaram a nos visitar com a devida frequência, pois já ninguém precisava pagar propina ou ágio para ter as geladeiras cheias de bebidas. Acabara-se o mercado negro da cerveja...


O tradicional rótulo de garrafas de 600 ml da Itubaína da Schincariol, Itu, SP

Mas voltemos à tubaína... No início da década de 1990, as tubaínas já tinham começado a desaparecer da cidade de São Paulo, sendo encontradas com dificuldade apenas nos bairros periféricos (ou suburbanos, como queiram). Os donos de bares calcularam e viram que as tubaínas davam menos lucro por unidade do que os refrigerantes de 300 ml das marcas globalizadas. Uma tubaína serve bem 4 copos, e em situações de maior necessidade, 5 ou 6; um refrigerante pequeno, apenas 2, no máximo 3 copitos, mas custa quase o mesmo que uma tubaína. Cheguei a ouvir do balconista de um boteco:Tubaína?! Há! Peça 2 refris pequenos, ou procurar em outro lugar!”.

Nessa época o termo tubaína se havia tornado sinônimo de refrigerante popular, principalmente o distribuído em garrafas de 600 ml, independentemente do sabor: tutti frutti, limão, laranja, maçã... Mas era considerado, havia muito tempo, refrigerante de pobre, principalmente se associado a sanduíches de mortadela... Tubaína e mortadela: deliciosa combinação, mas quanto deboche não sofreu! E aqueles que os consumiam, também! Sofriam calados... mas de barriga cheia, ainda bem! A mortadela era a tubaína dos embutidos, pois quem podia, comia presunto (ou disfarçava com apresuntado ou presuntada, embutidos de segunda linha vendidos ainda hoje em muitos lugares, aos incautos, como se presuntos fossem). os ricos de verdade comiam o verdadeiro presunto de Parma, fatto in Italia, ou o jamón espanhol. Comer não é bem o caso, é muito prosaico: estas iguarias gringas apreciam-se, degustam-se...

Gostar de mortadela (ou mortandela, como se ouve ainda em muitos lugares, fenômeno fonético comum de nasalização progressiva, ou seja, efeito de um fonema sobre outro seguinte) era cafona e sinônimo de poucos recursos. Mas o mundo girou e a Lusitana rodou: os tempos mudaram muito, e a mortadela tornou-se très chic, com variedades dela, fornecidas por uma marca tradicional bem conhecida, custando bem mais caro que o presunto; ir ao Mercado Municipal Central de São Paulo tornou-se passeio turístico, não apenas para ver os belos vitrais e o estilo grandioso, mas principalmente para apreciar o pastel de bacalhau e o sanduíche de pão francês com miolo ou na canoa (= “sem miolo”) e recheado com 300 gramas de mortadela em fatias bem finas!

Esta conversa  me vai dando fome...

Refrigereco não mais! – Na esteira da sofisticação da mortadela, a tubaína deixou de ser considerada um refrigereco ou refrigerante Argh!, e apreciá-la tornou-se moda, cultpelo menos para alguns. O fenômeno é compreensível e era até previsível, devido à busca atual por coisas e processos alternativos, pelo retorno a coisas consideradas mais autênticas, até mesmo selvagens, primitivas.


Amostra da carta de refrigerantes do Bar Tubaína
O termo tubaína agora é sinônimo derefrigerante artesanal” – o que diriam Saussure e Hjelmslev de tamanha mudança da função de um significante e um significado!?, e começam a surgir os ambientes específicos: em São Paulo, o Bar Tubaína surgiu 3 anos como ambiente de degustação de tubaínas – ou refrigerantes artesanais... –, apresentando em sua carta de tubaínas grande suprimento de refrigerantes de várias safras e latitudes.

A Internet virou ponto de encontro dos aficionados por tubaínas, quecomentam suas impressões: até mesmo blogues existem, como o Blog do Refri, voltado à divulgação de notícias e notas culturais sobre refrigerantes, e o Refrigerando, que faz test drives de refrigerantes exóticos – sua equipe submete as beberagens a cientificamente rigorosos testes olfativos, gustativos e de primeira vista (ou seja, o impacto que se tem ao avistar um refri não globalizado, coisa mui digna de espanto nos dias atuais, principalmente nas grandes cidades), sendo examinados e comentados também os rótulos, embalagens, tampas e o que mais for possível analisar, dando-se ao final do processo uma nota, para que os que se decidirem a experimentá-los também sejam dados por cientes de que o fazem por sua própria conta e risco... Já o portal Tubaínas e Afins combina o noticiário com variedades, degustações, fotos antigas etc., além da promessa de uma Tubainapédia (ainda não funcionando  o portal parece desatualizado há algum tempo).

Colecionadores pagam bem por vasilhames antigos, rótulos, tampas, material de propaganda e, principalmente, por garrafas lacradas e nunca abertas, portanto cheias – é um investimento bizarro esse de guardar bebidas e outros produtos em suas embalagens originais lacradas para anos ou décadas depois vendê-los em antiquários!

Na onda retrô, as tubaínas e refrigerantes artesanais em geral voltam à moda, portanto, com certo fôlego. Apesar de muitas fábricas, inclusive centenárias, terem encerrado suas atividades nos últimos tempos, calculam-se às centenas as empresas que ainda fabricam seus refrigerantes tradicionais. A Itubaína da Schincariol jamais deixou de ser produzida, mesmo tendo sua fábrica se tornado globalizada; recentemente foi lançada uma versão retrô de 300 ml – antiecológica, pois o vasilhame é descartável.

Diga-se de passagem, antes que me esqueça, que os refrigerantes artesanais têm sua contribuição ecológica – ou no desenvolvimento sustentável, ou na salvação do planeta, como está na moda dizer hoje. Ainda que se tenham difundido amplamente as embalagens plásticas, praticamente todas as fábricas de tubaína ainda utilizam vasilhames retornáveis, ao lado dos de PET, e a tubaína clássica é distribuída em garrafas de 600 ml retornáveis, usadas também para cerveja. Enquanto as cervejarias abandonaram a meia cerveja (garrafa retornável baixa e larga de 300 ml) em favor da descartável long neck, as tubaínas conservaram seu vasilhame clássico retornável.


Esta cena, comum em Santarém (PA) e outras cidades brasileiras, mostra o desperdício de recursos e o descaso com o meio ambiente: outrora valiosos e cobiçados, vasilhames retornáveis e seus engradados aguardam, numa esquina, a recolha pelo caminhão de lixo  ao invés da reciclagem, aguardarão no lixão, por séculos, a decomposição. (Em época de chuva – o conhecido inverno amazônico  garrafas destampadas são local excelente para a propagação do Aedes aegypti e outros mosquitos transmissores de doenças.)

Outros refrigerantes que não eram considerados tubaínas persistem, como a Grapette, que se tubainizou, sendo encontrada ainda em alguns estados (uma das fábricas fica em Manaus, e às vezes o produto chega a Santarém). Aqui no Pará, os refrigerantes da Cerpa (Cervejaria Paraense), nos sabores cola, guaraná, limão, laranja e uva, estão presentes em todos os cantos, em garrafas retornáveis pequenas – uma curiosa garrafa própria transparente e com rótulo de papel – além de latas e PET. Algumas tubaínas chegaram até ao Japão, como a Funada, uma das mais antigas a usar o nome tubaína (os fundadores da empresa eram japoneses).


Refrigerantes da Cervejaria Paraense (Cerpa): delícias do Pará!

A cultura atual é mais aberta à pluralidade, sob alguns aspectos, e o underground consegue manter-se com mais sossego, saindo às vezes ao sol. Assim como certos comportamentos e escolhas deixam de ser vistos como tabus, acompanhando a visível evolução cultural da sociedade, as pessoas também estão perdendo a vergonha de chegar a um bar e pedir uma tubaína, o que antes se fazia com discrição.

Termino por aqui, pois esta conversa se alongou demais e me deu sede... Vou sair para dar uma volta, entrarei na primeira venda que vir e pedirei uma tubaína bem gelada!

Para conhecer mais:
Blog do Refri: blogdorefri.blogspot.com
Refrigerando: http://refrigerando.com
Artigo sobre a Etubaína Orlando: http://solcaldeira.blogspot.com.br/2013/03/piracicaba-e-tubaina.html?showComment=1362580474654#c5736224179088081900. (Acrescentado em 6/3/2013.)
Matéria sobre tubaínas na revista Prazeres da Mesa nº 82 (junho/2010), reproduzida em Tubaínas e Afins: http://www.tubainaseafins.com.br/noticias.asp?id=22.

Este texto foi produzido e postado por meio de softwares livres: sistema operacional Linux Mint 13 Maya LTS; processador de texto LibreOffice 3.5.3.2; navegador de Internet Mozilla Firefox 13.0.1Conheça, prestigie, divulgue o software livre.

6 comentários:

  1. Cara a melhor tubaina que já tomei na minha vida era a bacana,pois cheguei ate aqui procurando informação da dita cuja para mostrar ao meu filho.grato bela postagem.

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  2. Obrigado por seu comentário, prezado Roni. Seja bem-vindo a meu blogue, e volte quando quiser, pois estou sempre postando novos artigos. Até!

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  3. Tubaína Vieira é imbatível, almoço na casa dos meus falecidos avós (de Laranjal Paulista - SP) era simplesmente combinação deliciosa, tempos de ouro, saudades de doer, excelente matéria sobre uma bebida que faz parte da vida de muita gente no interior de SP

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  4. Oi Júlio, muito legal!!!
    Só vou defender a tubaína Orlando aqui porque já foi provado até em processo, que a Ferráspari resolveu realizar contra a família Orlando, que a tubaína Orlando é mais antiga que a deles e que eles não foram os pioneiros, o que clamam ser. Até antes da Orlando tínhamos a Cotubaína.
    Mas é isso aí, tubaína é sabor de infância!
    Abs
    Sol Caldeira

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  5. Obrigado pelo comentário. Aproveitarei suas informações para revisar alguns dados deste texto. Volte sempre.

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